segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Aula 04 – SALVAÇÃO: O AMOR E A MISERICÓRDIA DE DEUS


4º Trimestre/2017

Texto Base: 1João 4:13-19

 'Vós que, em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia" (1Pd.2:10).

 
INTRODUÇÃO

Trataremos nesta Aula a respeito do grande Amor e da Misericórdia de Deus no perfeito plano divino da Salvação, que é a culminação destes dois atributos de Deus, e somente é possível porque Ele amou a humanidade infinitamente a ponto de entregar seu Filho Jesus para morrer no lugar dela. Por méritos próprios, nenhum ser humano alcançaria a dádiva da Salvação, pois ela é, e continuará sendo, resultado da maravilhosa graça de Deus. Assim, por intermédio de sua misericórdia, Deus concedeu perdão ao pecador, fazendo deste seu filho por adoção, dando-lhe vida em abundância. E assim como o Pai nos amou e nos perdoou, nós como filhos seus, precisamos também amar e sermos misericordiosos, pois agindo com amor e misericórdia, estaremos glorificando o nome dEle.

I. O MARAVILHOSO AMOR DE DEUS

1. Deus é amor. A Bíblia nos diz que "Deus é amor" (1João 4:8). Mas como podemos começar a entender essa verdade? Há várias passagens na Bíblia que nos dão a definição de Deus para o amor. O verso mais conhecido é João 3:16: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Então, uma forma que Deus define amor é com o ato de dádiva; e a maior demonstração do amor de Deus pelo mundo foi quando Ele deu o seu Filho Unigênito para morrer, vicariamente, por toda a humanidade, “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Esse é um amor incrível, porque somos nós que escolhemos permanecer separados de Deus através de nossos próprios pecados, mas é Deus quem conserta essa separação através de Seu grande sacrifício pessoal, e tudo que precisamos fazer é aceitar esse presente.

Outro verso excelente sobre o amor de Deus é encontrado em Romanos 5:8: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Assim como em João 3:16, não é mencionado nesse versículo nenhuma condição imposta por Deus para o Seu amor. Deus não diz: "assim que você colocar sua vida em ordem, eu vou amar você"; Ele também não diz: "sacrificarei meu Filho se você prometer me amar". Na verdade, encontramos justamente o contrário em Romanos 5:8. Deus quer que saibamos que Seu amor é incondicional, por isso Ele mandou Seu Filho, Jesus Cristo, para morrer por nós quando ainda éramos pecadores que não mereciam ser amados. Não tínhamos que arrumar nossas vidas, nem tínhamos que fazer promessas a Deus para que pudéssemos experimentar do Seu amor. Seu amor por nós tem sempre existido, e, por causa disso, Ele já deu e sacrificou tudo que era necessário muito tempo antes de percebermos que precisávamos de Seu infinito amor.

2. Deus é amor, mas a Salvação é Condicional. Cremos no livre arbítrio, ou seja, na liberdade de escolha dada por Deus ao homem. Para nós, a Salvação preparada por Deus destina-se a todos os homens; é o que o texto sagrado explicita: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Nesse “todo aquele” não há exclusão de ninguém. Todos podem crer, e Deus quer que todos creiam, pois “a graça de Deus se há manifestada, trazendo Salvação a todos os homens” (Tito 2:11); “porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:3,4). Porém, cremos que essa Salvação é condicional, ou seja, exige-se que o homem permaneça em Jesus. Paulo falou da possibilidade do “irmão fraco”, perecer - “E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu” (1Co.8:11). Portanto, cremos que a Salvação é extensiva a todos os homens, desde que creiam em Jesus e o aceitem como seu Salvador - “Quem crer e for batizado será salvo...” (Mc.16:16). Assim, para nós, as bênçãos que o ser humano recebe de Deus, incluindo a própria Salvação, precisam ser cuidadas e guardadas com muito temor, pois é possível perdê-las - “...guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap.3:11). Creia nisso!

3. Deus é amor, mas castiga o filho rebelde. A pior coisa para Deus é quando seu povo se afasta dele (Oséias 11:1,2). A pior coisa para Deus é quando o seu povo quer voltar para o Egito (Números 11). A pior coisa é quando o povo de Deus se recusa a converter-se (Oséias 11:5), e quando está “acostumado a desviar-se de Deus” (Oséias 11:7). Veja o exemplo de Israel. Israel não quis ouvir e se mostrou insuportável. E o que Deus fez com Israel? Quando lemos a profecia de Oséias (Os.11:5-7), vamos ver que Deus iria castigar o seu povo. Deus não aceitava a atitude rebelde do seu povo. Deus mandaria o rei da Assíria para castigar o seu povo. O rei da Assíria seria como um chicote nas mãos de Deus. Deus mandou o profeta Oséias a dizer:  

“Não voltará para a terra do Egito, mas a Assíria será seu rei, porque recusam converter-se. E cairá a espada sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos, e os devorará, por causa dos seus conselhos”.

Oséias profetizou sobre este castigo, e isso realmente aconteceu. O rei da Assíria chegou e levou em exílio uma grande parte do povo de Israel. Muitos morreram na guerra; muitos morreram por causa da fome; muitos morreram no cativeiro e; muitos morreram no exílio. Deus castigou o seu filho, mas Ele não o matou. Deus reagiu como está escrito em Provérbios 19:18: “Castiga o teu filho enquanto há esperança, mas não deixes que o teu ânimo se exalte até o matar”.

Deus fala também sobre o castigo que dará ao seu filho, mas ele fala também sobre o seu amor, que prevalece:

“Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como Admá? Ou como Zeboim? Está comovido em mim o meu coração, as minhas compaixões à uma se acendem. Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não virei com ira” (Os.11:8,9).  

Deus castigou enquanto tinha esperança, e alguns filhos foram assassinados, mas aqueles que voltaram, tremendo e se arrependendo, foram recebidos com graça e amor. Assim é Deus! Ele castiga aquele a quem muito ama, e quer que ele volte para Ele novamente. Cabe aqui a Parábola do Filho pródigo (Lc.15:11-32). Deus se revelou assim em Êxodo 34:7 e depois mais uma vez no Salmo 103:

“O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno; não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades. Pois quanto o céu se alteia em cima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem”.

Assim é Deus! Assim é o amor do nosso Pai celestial!

II. UM DEUS MISERICORDIOSO

1. O que é misericórdia? No plano vertical, ou seja, no plano de Deus em relação ao pecador, misericórdia significa a fidelidade de Deus mediante a aliança de amor estabelecida com a humanidade (Sl.89:28), apesar da infidelidade dela. O homem não tinha esperança de nada além da culpa do pecado. Ele era impotente para livrar-se do pecado porque não podia resistir às tentações do diabo, “mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm.5:8,9). Sob a nova aliança, Deus afirma: “Porque serei misericordioso para com as suas iniquidades e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais” (Hb.8:12).

Agradeçamos a Deus por sua misericórdia. Mas, lembremo-nos que ainda que agora tenhamos esperança através de sua misericórdia em Cristo, ainda podemos pecar. A misericórdia de Deus não é incondicional. Assim como mostrou misericórdia a Israel e depois tirou-a, por causa da desobediência do seu povo, ele nos promete o mesmo.

“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb.10:26-31).

Conhecendo a misericórdia de Deus, bem como nossa fraqueza da carne, adverte-nos as Escrituras Sagradas: “... guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (Judas 1:21); “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb.4:16).

No plano horizontal, ou seja, no plano humano em relação ao próximo, misericórdia significa lançar o coração na miséria do outro e estar pronto em qualquer tempo para aliviar a sua dor. Misericórdia é ver uma pessoa sem alimento e lhe dar comida, é ver uma pessoa solitária e lhe fazer companhia; é atender às necessidades e não apenas senti-las; é mais do que sentir piedade por alguém. A palavra hebraica para misericórdia é “chesed”, que é a capacidade de entrar em outra pessoa até que praticamente podemos ver com os seus olhos, pensar com sua mente e sentir com o seu coração.

O maior exemplo de amor e misericórdia foi demonstrado por Jesus. Ele declarou que veio ao mundo não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida por nós (Mt.20:28). Ele curou os doentes, alimentou os famintos, abraçou as crianças, foi amigo dos pecadores, tocou os leprosos. Ele fez com que os solitários se sentissem amados. Ele consolou os aflitos, perdoou os que haviam caído em opróbrio.

O apóstolo Paulo disse que exercer misericórdia com os necessitados é uma graça que Deus nos dá em vez de um favor que fazemos às pessoas. Veja o testemunho que ele dá dos crentes da Macedônia com relação a este aspecto (2Co.8:1-5):

1. Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia;

2. como, em muita prova de tribulação, houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza superabundou em riquezas da sua generosidade.

3. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente,

4. pedindo-nos com muitos rogos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos.

5. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus.

Este ato misericordioso dos irmãos da Macedônia é uma demonstração tangível daquilo que Paulo exortou em Gálatas 6:2: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo”.

A misericórdia, portanto, não é uma virtude natural. Para realizamos tal ato precisamos amar com amor divino. Por natureza o homem é mau, cruel, insensível, egoísta, incapaz de exercer a misericórdia. Precisamos nascer de novo antes de sermos misericordiosos. Precisamos de um novo coração, antes de termos um coração misericordioso. Você tem ajudado seus irmãos a carregarem suas cargas ou você tem ainda acrescentado mais peso a elas?

2. O Pai da misericórdia. A Bíblia afirma que Deus é o Pai da misericórdia (2Co.1:3) – “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação”. Essa expressão “Pai de misericórdia” significa a fonte inesgotável de todas as misericórdias de que os crentes são e serão objeto. Observe que Deus precisa ser primeiro o Pai de Cristo, para que Ele possa ser “o Pai de misericórdia” para nós. A misericórdia de Deus precisa ver a justiça de Deus satisfeita. Um atributo de Deus não pode destruir o outro (Salmos 85:10). Deus não pode falhar em Sua própria justiça, mas ela precisa ser satisfeita por Cristo (Rm.3:26). Cristo tomou para si a nossa natureza, para morrer por nós (Hb.2:14,17), para que Deus pudesse ser nosso Pai, apesar dos nossos pecados, pois Ele puniu os nossos pecados em Cristo, nosso fiador (Hb.7:22). Deus, portanto, a partir do seu coração de misericórdia, encontrou um caminho para que Ele pudesse nos fazer o bem, e juntar a Sua misericórdia com a Sua justiça. Deus é santidade; nós somos uma massa de pecado e corrupção. Mas Cristo morreu por nós, e Deus é o Pai de misericórdias para todos aqueles que estão em Cristo. Como a justiça de Deus para o pecado foi satisfeita, o obstáculo é removido e a torrente de misericórdias de Deus flui livremente.

O Pai da misericórdia glorifica a Si mesmo ao mostrar misericórdia. Deus é misericordioso antes de sermos convertidos. Ele atrasa a Sua ira e não pune o pecador imediatamente. Deus é misericordioso no perdão de todos os pecados, na punição e na culpa, quando nós confiamos em Cristo. Deus é misericordioso na correção de alguns dos pecados dos Seus filhos (Hb.12:6). Ele é misericordioso na continuação das nossas bênçãos diárias. Se nós temos conforto, isto é misericórdia; se nós temos força, isto é misericórdia. As Suas misericórdias não falham, mas renovam-se cada manhã (Lm.3:22-23). Tudo que vem de Deus para os Seus filhos é mergulhado em misericórdia.

3. Misericórdia com o pecador. Misericórdia é um atributo moral de Deus, que o leva a não dar ao pecador o que ele merece. Merecemos o seu castigo, mas Ele nos dá sua graça imerecida - “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos” (Lm.3:22). Todas as misericórdias têm sua origem em Deus e só podem ser recebidas dele. A Bíblia fala da riqueza das misericórdias de Deus (Sl.5:7;69:16), da sua terna misericórdia (Tg.5:11) e da grandeza da sua misericórdia (Nm.14:19); também fala da multidão das suas misericórdias (Sl.51:1) – “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias”. A cada dia, a misericórdia de Deus pode ser experimentada, pois ela nunca acaba – “Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua misericórdia dura para sempre” (Sl.136:1 - ARA).

As promessas de Deus são promessas de misericórdia. Sempre que um pecador se arrepende, independentemente de quantos ou quão maus os seus pecados possam ser, Deus irá esquecer-se de todos eles (1João 1:7). A Bíblia fala para a alma culpada: “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Is.55:7). Nós somos vingativos, rápidos para nos ofendermos e procurarmos vingança. Nossos pensamentos de misericórdia são pobres e estreitos, porque somos inclementes e sem piedade. Mas os pensamentos de Deus estão acima dos nossos pensamentos, e os Seus caminhos estão acima dos nossos caminhos (Is.55:7,8). A misericórdia de Deus é infinita!

Quando Deus é severo com pecadores, na Sua justiça, é por causa do erro deles. O Seu coração é misericordioso (Lm.3:33). Ele é bom em Si mesmo. Nós O provocamos para ser severo na justiça. Contudo, em Sua própria natureza, Ele “tem prazer na misericórdia” (Mq.7:18). Portanto, Ele será misericordioso com todo aquele que se arrepender dos seus pecados e se apossar de Cristo, através de uma fé verdadeira. Este é o nome pelo qual Deus quer ser conhecido: “compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” (Êx.34:6).

III. AMOR, BONDADE E COMPAIXÃO NA VIDA DO SALVO

1. Amor como adoração a Deus. O principal mandamento bíblico é: “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças” (Mc.12:30). Este não é apenas um preceito moral, mas um sentimento de profunda devoção de coração. Logo, mediante o amor divino, o salvo em Cristo é levado a demonstrar, em atitudes e palavras, o quanto ele ama a Deus, sabendo que isso só foi possível porque o Pai amou-o primeiro (1João 4:19).

Amar a Deus significa submeter-se à vontade do Senhor, fazer aquilo que Ele nos manda na sua Palavra; significa renunciar à vontade própria, ao ego, à sua individualidade para fazer aquilo que o Senhor determinou que fizéssemos. Não é possível amar a Deus sem observar a sua Palavra.

O pecador que rejeita a oferta da Salvação, por meio de Jesus Cristo, único e suficiente Salvador (João 14:6), por natureza, é considerado inimigo de Deus – “Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida”. Mas, por intermédio da reconciliação que Cristo operou na cruz, o próprio Deus tomou a iniciativa e capacitou o salvo a amá-lo – “Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1João 4:11,19). A primeira prova que temos de que alguém realmente se tornou um filho de Deus é o fato de que ele passou a amar a Deus, e amar a Deus é simples de ser verificado: “Vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando” (João 15:14); “Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, este é o que Me ama” (João 14:21a).

2. Amar ao próximo. O amor a Deus é pressuposto para que se tenha amor ao próximo. Quem ama a Deus, ama o próximo(1João 4:21). Não é possível amar o próximo sem que antes se ame a Deus. Vimos no tópico I deste estudo que Deus, nosso Pai, é amor. Ora, se Deus é amor, como pode gerar filhos que não tenham o mesmo amor? Somos filhos de Deus, e, como filhos, possuímos as características do nosso Pai celestial; assim sendo, naturalmente, devemos amar como Ele amou (2Pd.1:4; João 15:12); do contrário, não seremos considerados seus filhos. Jamais alguém que seja feito filho de Deus (João 1:12), que tenha sido gerado da água e do Espírito (João 3:5), que seja participante da natureza divina (2Pd.2:4), não tenha, pois, o amor divino.

O apóstolo Paulo afirma que “o amor de Cristo nos constrange" (2Co.5:14); nos constrange a amar o próximo (Mt.5:43-45; Ef.5:2; 1João 4:11), porque Cristo morreu por ele também (Rm.14:15; 1Co.8:11), e quando fazemos o bem a quem precisa fazemos ao próprio Senhor (Mt.25:40), isto é bem ensinado na famosa parábola do bom samaritano (Lc.10:30-37).

- Amar o próximo é assumir o lugar do outro. É sentir as necessidades alheias, tomar para si o sofrimento de alguém. É ver o próximo como gostamos que este nos veja. Mas como amar assim, se a natureza humana é, em si mesma, egoísta e interesseira? O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, no capítulo 5, versículo 5, diz que o amor de Deus é derramado em nosso coração. É esse amor de Deus a fonte do amor que nos habilita a amar uns aos outros.

- Amar o próximo não é somente dizer que o ama, mas demonstrar isso na prática – os atos falam mais alto do que as palavras. Por isso é que dizem que a pregação com a nossa vida, com os nossos atos, são mãos penetrantes do que as palavras. A Bíblia diz que devemos suportar uns aos outros - isso é o amor em prática, no sentido pleno. Suportar não significa concordar com os erros do outro, por exemplo, mas não excluir alguém de nosso convívio, de imediato e definitivamente, por ter praticado algo contra nós. Devemos suportar nosso próximo, mesmo sem gostar de sua atitude, sabendo que um dia iremos fazer alguma coisa contra aquela mesma pessoa e vamos querer que ela nos suporte.

- Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos. Quem é o nosso próximo? É qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus na parábola do bom samaritano (Lc.10:30-37), e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição.

- Amar o próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Medidas emergenciais são necessárias, como nos mostra a parábola do bom samaritano, mas é extremamente necessário que levemos o próximo a entender que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o próximo, como nós o amamos.

3. Amor como serviço diaconal. O mandamento de amar o próximo é antigo; ele é da Lei Mosaica - “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv.19:18). Mas, Jesus transformou este mandamento em novo mandamento no fato de que Ele realmente chamou as pessoas a vivê-lo. Sua vida toda o encarnou. “Quando Ele lavou os pés dos discípulos, Ele ensinou, na prática, um estilo de vida que deveria caracterizar seus discípulos (João 13:14), ou seja, o de um servir ao outro”.

A vida cristã é um sem-número de novos começos instigados pelo desafio sempre novo de amar uns aos outros como Cristo nos amou. É nossa missão quando lidamos com pessoas difíceis e impossíveis. Na verdade, a vida é difícil para todos, porém alguns têm mais dificuldade que outros. Não entendemos bem o porquê disso. Talvez Deus permita essa diferença para que haja oportunidade de crescimento espiritual no serviço diaconal do cristão. Assim expressou Paulo: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo”(Gl.6:2). É na pratica do amor de alto preço que o mandamento se torna novo outra vez. O cristianismo experimental é sempre novo, conquanto o cristianismo doutrinário seja sempre antigo.

Aliviar os sofrimentos e as angústias de outras pessoas é serviço diaconal cristão. Muitas vezes podemos fazer muito com pouco. Esse tipo de serviço é também um testemunho de amor cristão. Provavelmente Tiago tenha falado que a fé sem as obras seja morta, nos exortando ao serviço para o bem comum. Ele disse: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”(Tg.4:17). E Jesus declarou o seguinte: “E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes pequeninos, na qualidade de discípulos, em verdade vos digo, que de modo algum perderá sua recompensa”(Mt.10:42 ). Portanto, o serviço em favor do próximo, uma vida sacrificada em favor de quem está perto de nós, demonstra, na prática, a grandeza do amor de Deus.

Portanto, o amor como serviço diaconal é um dever e é coerente com o caráter de Deus. O cristão que passou pelo novo nascimento, que foi regenerado, justificado e santificado deve amar sem preconceito e incondicionalmente a todas as pessoas. É o que João exorta aos seus leitores: "Amados, se Deus assim nos amou, também devemos amar uns aos outros" (1João 4:11). Ele nos encoraja a amarmos à maneira de Deus, que entregou seu Filho à morte por amor. Aquele que não ama como Deus amor não pode ser considerado conhecedor de Deus – “...e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus; Aquele que não ama não conhece a Deus”(1João 4:7,8). Portanto, não há alternativa para nós, pois está escrito que, como filhos de Deus, temos de agir como Ele agiu. A Bíblia diz que se nós amamos uns aos outros Deus está em nós(1João 4:11).

CONCLUSÃO

“O amor e a misericórdia de Deus extrapolam a compreensão humana, pois ainda que se usem os melhores recursos linguísticos, estes não seriam capazes de descrever quão incomensuráveis são essas virtudes divinas. Nem mesmo o amor de uma mãe pelo seu filho é capaz de sobrepor o amor e a misericórdia de nosso Deus. Por isso, resta-nos expressar esse amor em nossa relação com cada criatura” (LBM.CPAD).

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.
Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.
Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. 1,2,3 João.
Comentário Lucas – à Luz do Novo Testamento Grego. A.T. ROBERTSON. CPAD
Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. Amor: o Fruto excenlente.PortalEBD_2005.
Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

A Caminho do Sepulcro Vazio

Era já o terceiro dia do sepultamento de Jesus. As primeiras horas do domingo. Maria Madalena, Joana e Maria mãe de Tiago( Lc 24)   se dirigem até o sepulcro na intenção de ungir o corpo do Mestre. Juntas carregam especiarias compradas no mercado de Jerusalém e algumas outras que com muito zelo prepararam. Durante o percurso, conversam sobre como seria bom se Jesus estivesse vivo, recordam momentos compartilhados com Aquele que lhes  despertou o verdadeiro dom de amar. Mas, as mulheres tinham alguns temores, segundo o Evangelista Marcos, “elas diziam umas para as outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro”? Mc 16:3

É admirável a determinação das discípulas de Jesus. Elas sabiam que podiam encontrar guardas romanos à entrada do sepulcro  impedindo-as de completar a missão. Sabiam que na rocha virgem,
preparada para repouso do Messias, existia uma entrada lacrada com enorme pedra pesada, cuja remoção, dependia de força física que apenas os homens teriam. Ainda assim, não desistem. A atitude das mulheres parece ser digna de louvores. Afinal, quem mais, diante de tantos obstáculos, intentaria ungir “o morto”?!

Quando enfim, chegam ao sepulcro, encontram um cenário bem diferente daquele que desenham na mente: Nem soldados, nem  pedra impedem a entrada no local. O sepulcro está totalmente vazio! Admiradas, elas ficam ali por alguns instantes: “Para onde  levaram o corpo de Jesus? Precisamos descobrir.”. Perplexas, quase desmaiam de  temor quando dentro do pequeno ambiente, surgem dois varões com resplandecentes vestes a lhes falar:

“Por que buscais o vivente entre os mortos”? Lc 24:5

Notem que os anjos repreenderam as mulheres: “Vocês estão procurando a pessoa certa, porém, no lugar errado”. Essa palavra mexeu comigo. Quantas pessoas estão agindo como as mulheres a caminho do sepulcro? Empreendendo tempo, esforço, determinação e esperanças na direção errada. Querem a coisa certa, mas procuram no lugar errado.

Alguém exclamaria: “Mas elas amavam a Jesus”! Sim, somente não perceberam que as coisas mudaram. Que precisavam sair do passado, e viver o hoje. Colocar a fé em ação. “Buscar o vivente entre os mortos” significa limitar o que não é limitado. O sepulcro era nada diante do Mestre. Toda aquela situação de morte foi vencida pelo poder redentor, aleluia! As mulheres precisavam de olhos espirituais, para enxergarem além do natural. Havia uma pedra que precisava ser removida bem em seus corações.

Quantos de nós não estamos “a caminho de um sepulcro vazio”, buscando felicidade onde não existe? Revirando cadáveres? Presos em uma atmosfera fétida? Comprando e preparando aromas para “perfumar” o que não deve ser perfumado, mas refeito. O perfume não deve ser um paliativo, mas um remédio que adentra as profundezas do ser. E Jesus é esse remédio. Apenas Ele tem domínio sobre a vida e a morte. Ele as venceu! E Ele mesmo é o que diz: “Por que procuras o vivente entre os mortos?! Eis-me aqui. Entrega-te a Mim”.

O Jesus, que as mulheres buscavam ainda é cultuado hoje. Multidões caminham Para sepulcros vazios em busca de encontrar felicidade e paz. Mas não encontram. Porque sepulcros são lugares de morte e não de vida. Jesus está vivo! Ele age, hoje, agora mesmo. E a fé verdadeira, Bíblica, que conduz a salvação eterna, acredita nesse Jesus. Que operou no passado e continua operando hoje e em todos os séculos, para sempre, eternamente. Ele É o mesmo. Não é o Cristo histórico, mas real que não se limita a tempo, espaço ou circunstância.

“Por que procurais o vivente entre os mortos”? Lc 24:5

Convido-o a uma reflexão: Onde procuras por vida? Caminhas para o sepulcro? Vives em um ambiente de tristeza, pranto e temor? Seus esforços têm sido vãos? Os “aromas” de paz somem com facilidade? Precisas comprá-los, prepara-los?  Mude de direção.

Jesus está vivo. O lugar de sua sepultura está vazio. É a única sepultura do mundo que não conseguiu segurar “o morto”. Ela é testemunho para as nações, daquilo que Deus preparou para os que O buscam. Se com Cristo estamos, vencemos a vida e a morte. É uma louca mensagem que só pode ser vivida através da fé. Da  fé que está bem ai, dentro de você. Deixe o caminho do sepulcro. Busque o Verdadeiro Cristo, com todo vosso coração e força. A pedra já foi removida. Não existe obstáculo.

“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é pela sua carne. Jesus Cristo é o mesmo, ontem hoje e sempre” Hb 10:19, 20 e 13:8.

Amém.

Wilma Rejane.

O cálice amargo da angústia

Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram. Romanos 12:15



Wilma Rejane

Naquele dia os portões da cidade de Jerusalém não se fecharam, era Páscoa e normalmente a cidade recebia muitos visitantes. Jesus e os onze apóstolos passaram pelos largos portões, atravessaram o vale de Cedrom e se acomodaram em um jardim de oliveiras chamado Getsêmani. Ele costumava se reunir ali com os discípulos, também sozinho, em oração. Era noite, fria e tenebrosa.  Jesus pressentia seu flagelo e uma necessidade inadiável de orar. Oito dos apóstolos ficaram pelo caminho, nas proximidades do jardim.Tiago, João e Pedro acompanharam o Mestre sentando-se a apenas alguns metros de distância.

Disse-lhes então: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo. Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres. Então, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora? perguntou ele a Pedro. Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” Mateus 26:38-41

Naquela noite, enquanto Jesus orava expelindo sangue por todos os poros, seus apóstolos dormiam. Eles não suportaram o cansaço físico, tão pouco consideraram a urgência do momento. Seus espíritos se acomodaram ao que a mente lhes oferecia. Queriam repouso. Apesar da dramática situação de Jesus, em nenhum momento nos é dito que Pedro, Tiago e João se assustaram com a cena incomum, se compadeceram, inquiriram Jesus sobre o fato de estar ensanguentado.

Os apóstolos dormiram. Enquanto isso; Jesus transpirou sangue, orou por três vezes e foi auxiliado por anjos (Lucas 22:39 – 46). Eles não viram, foram abatidos pelo desânimo. Não imaginavam Jesus capturado e morto. Não compreendiam o emblema vivido por Jesus naquele jardim: sua intensa aflição e tristeza.

Esse episódio que antecede a crucificação, nos ensina sobre muitas coisas e é abundante a literatura que trata do valor da oração a partir da aflição de Jesus no Getsêmani.  Aqui, contudo, destaco a reação dos apóstolos Pedro, Tiago e João, como companheiros de Jesus naquele momento tão decisivo em que a angústia da morte O cercava.
Na tristeza

Muitos de nós temos grande dificuldade em enxergar a dor do outro, a aflição, mesmo tendo sido chamados para participar dela. Quantas vezes estamos tão perto de quem sofre e não percebemos? Quantas vezes, dormimos, quando na verdade deveríamos estar orando? E orando pelo outro, com o outro. Jesus, em sua oração, queria ouvir Deus, insistiu em uma resposta, não cessou sua oração até que o consolo chegou. E a oração de Jesus era por mim e por você. Ele sabia que o calvário se aproximava, precisava se manter confiante para enfrentá-lo: por amor a todos nós (João 3:16).

Jesus poderia orar sozinho, tantas vezes fez isso. Ele tinha comunhão inigualável com Deus, sabia que era ouvido e que não seria abandonado pelo Pai. Mas Jesus quis companhia para sua dor. Ele era o mais forte dos homens, o mais fiel, o mais virtuoso de todos! Contudo: Ele considerou importante ter a companhia de Tiago, João e Pedro, considerou que enquanto seus olhos estivessem fechados em oração, os dos discípulos estariam abertos em intercessão. E tudo quanto dependeu dos homens naquela noite falhou. Apesar disso, Jesus venceu! Venceu não apenas a angústia da morte, mas a própria morte, aleluia!

Muitas vezes somos chamados à angústia, é um momento que se necessita de companhia: alguém que nos escute pelo simples fato de nos amar e querer ajudar. Queremos companhia para nossa dor, pois, dor compartilhada parece se tornar mais leve. Queremos fidelidade na dor porque amigos verdadeiros seriam capazes de compreender o que sentimos sem condenar. Queremos contar com quem não se esconde entre arbustos no jardim das aflições, mas se ajoelha conosco recordando sua fragilidade, consciente de que aflições chegam para qualquer um. No jardim das aflições a dor do outro deve instigar à sensibilidade e vigilância a fim de não se cair em desânimo e desesperança na hora das perseguições e provações de toda sorte.

Pedro, Tiago e João estavam ali no jardim das aflições com um chamado: serem participantes do sofrimento de Cristo. Eles eram a comunidade de cristãos, a igreja que no Novo Testamento é definida como ekklesia = conjunto de cristãos ( Strong 1557). Esta igreja foi chamada a vigiar e orar, não apenas por si mesma, mas também pelo outro. É dever da igreja amparar o que sofre os martírios de uma sociedade doente e turbulenta. A igreja foi chamada ao jardim das aflições, um lugar onde o cálice é amargo, difícil de degustar, contudo: Jesus bebeu esse cálice, até a última gota  e Ele será nossa melhor e mais doce companhia nos Getsêmanis na vida.

Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.1 Pedro 4:12,13.

Na alegria

Houve um outro momento nas Escrituras em que Pedro, Tiago e João foram chamados a estar a sós com Cristo no local que ficou conhecido como “Monte da Transfiguração”. Ali as vestes de Jesus se tornaram resplandescentes, ali houve esplendor, êxtase e glória pela revelação do sobrenatural. Os três apóstolos desejaram ficar naquele estado para sempre:

Pedro tomando a Palavra disse: Mestre, é bom que estejamos aqui, e façamos três cabanas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias. Mc 9:5.

Muitos são os que se voluntariam para participar conosco dos momentos de glória. Muitos são os que permanecem  acordados, prontos a acampar quando tudo vai bem. A alegria, de fato, é mais convidativa do que a tristeza. Contudo, a igreja não foi chamada apenas para vivenciar o sobrenatural, o êxtase. A igreja não foi chamada à acomodação, ao acampamento das glórias. Foi chamada especialmente para a santidade. Para que isto se concretize, será necessário sofrer. Sofrer as consequências de uma vida que renuncia ao pecado, sofrer a sua cruz ( Marcos 8:34).

A cruz vazia que sustentou o Cristo cheio de amor é a ponte que une  continentes: alegria e tristeza, morte e vida, pecado e santidade, arrependimento e perdão, natural e sobrenatural, Deus e homens. Quer seja nos jardins  das aflições ou nos montes da transfiguração, oremos e vigiemos recordando de que somos mortais e necessitamos da presença de Cristo em nossos corações. Necessitamos do outro, não apenas como companhia para os momentos de glória, também para os de angústia.

Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram. Romanos 12:15

Concluindo…

Penso que essa não é uma mensagem fácil para se viver, pois, enfrentar nossas próprias angústias já é um fardo. Os fardos, contudo, podem trazer consigo sementes de vitórias e glória. Não, a glória não está presente apenas nos montes, está também nos jardins das aflições, pois, enquanto os espinhos do lugar permanecem afiados, as flores continuam a exalar beleza e perfume. A angústia de Cristo no Getsêmani evocou os anjos, provocou uma transformação sem igual nos homens. A angústia poderá nos tornar mais fortes e confiantes se ao invés do desânimo praticarmos a oração invocando Cristo. 

O sono de Tiago, Pedro e João é muito comum em nós, há homens que lidam melhor com o sofrimento, ao passo que outros se deixam absorver pelas circunstâncias.  Jesus, contudo, insistiu em despertá-los ensinando-os que a fraqueza da carne não deve vencer o espírito. Jesus sofreu para nos ajudar a vencer, Ele permaneceu acordado e sóbrio para tomar o cálice que pertencia a nós, por essa causa temos auxílio nas aflições. O auxílio de Cristo está a nossa disposição todos os dias, em qualquer circunstância: “Pois não temos um sumo sacerdote que não seja capaz de compadecer-se das nossas fraquezas, mas temos o Sacerdote Supremo que, à nossa semelhança, foi tentado de todas as formas, porém sem pecado algum.” Hebreus 4:15.

O sofrimento de Cristo no Getsêmani nos ensina a encontrar propósito na dor. Saber que aquele momento não é um fim, mas um meio para crescer e tornar os dias cheios de gratidão. O outro, o amigo, o irmão, o familiar pode ser partícipe de nosso crescimento, mas se algum deles ou todos eles falharem, sejamos nós o instrumento de Deus que os despertará do sono. Muitos homens se tornaram nobres e grandes através do sofrimento, muitos fizeram de suas fraquezas a causa de seu sucesso. Por causa de suas fraquezas, essas pessoas se destacaram ajudando outros  a vencer.

Tenho a chance de escolher. Você tem a chance de escolher. Podemos optar por ser indivíduos que dão importância apenas às decepções e insistem em enfatizar as falhas e deficiências. Podemos decidir ser pessoas amargas, raivosas ou tristes. Ou, ao contrário, quando tivermos de encarar períodos difíceis e lidar com pessoas daninhas, podemos optar por aprender com a experiência e seguir em frente, assumindo a responsabilidade por nossa própria felicidade”.Nick Vujicic.

Que Deus em sua infinita bondade nos conduza ao crescimento multiplicando em nós o amor, a gratidão, a fé e a sabedoria.

sábado, 30 de setembro de 2017

Os Patriarcas (5) A Transformação de Jacó Para Israel



“No ventre, pegou do calcanhar de seu irmão; no vigor da sua idade, lutou com Deus; lutou com o Anjo e prevaleceu; chorou e lhe pediu mercê; em Betel, achou a Deus, e ali falou Deus conosco.” Oséias 12:3-4.

“Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.” Gênesis 32:28.

A nossa parte da Aliança com Deus deve ser cumprida por nós e ninguém mais. Quando nos damos conta disso vemos o quanto somos incapazes e como necessitamos de mudanças para que possamos cumprir a nossa parte. Quando lemos acerca de Jacó vemos a luta de um homem para que fosse verdadeiramente redimido e transformado, e como ele obteve do Senhor essa grandiosa benção.

Com quem ele lutou? Um Homem misterioso (Gn 32:24), que era, na verdade, uma teofania, isto é, uma manifestação visível (e nesse caso tangível) de Deus, que é invisível. O “Anjo” do Senhor aqui é um mensageiro do Senhor, inteiramente equiparado pelo Senhor que O enviou. Ao lutar com o Anjo de Deus, Ele lutou com o próprio Deus.

O que é a luta de Jacó? É a busca intensa de uma transformação interior (Jacó = agarrador de calcanhar, suplantador, trapaceiro). Ele sabia que mais que a benção de Isaque, ele necessitava da benção de Deus. A luta de Jacó envolveu também oração intensa e súplica fervorosa. Notemos que ele lutou “com” Deus e não contra Deus.

Como Jacó pôde vencer? É impossível admitir-se que Jacó pudesse vencer uma com o Anjo do Senhor. Embora Jacó fosse um homem muito forte (Gn 29:2,10), o Anjo do Senhor era incomparavelmente mais forte que ele. Equiparando a força de seu Anjo com a força do patriarca, certamente o Senhor deixou que Jacó vencesse. Jacó lutou com Deus e prevaleceu, isto é, alcançou o que tanto desejava.

Argumentação. O que podemos aprender acerca da luta de Jacó com Deus?

1 – Jacó lutou sozinho com Deus (Gn 32:22-24)
“Ficando ele só; e lutava com ele um Homem, até ao romper do dia.” Gn 32:24.

Jacó levantou-se naquela madrugada e fez sua família e tudo que possuía transporem o vau de Jaboque, que era um ribeiro que deságua no rio Jordão. Ali naquele lugar, ele lutou com Deus até o romper do dia (24b).

Existem áreas de nossa vida que só mudarão quando as tratarmos a sós com Deus. A Bíblia nos diz em Eclesiastes 3 que há tempo para tudo, e precisamos ter tempo para estar a sós com Deus. Obviamente estar em comunhão com a Igreja é essencial para a nossa edificação. Estar junto com a família também é muito importante. No entanto, precisamos ter tempo a sós com Deus, pois somente assim a nossa vida pode mudar. Existem áreas de nossa vida que só Deus conhece, e muitas vezes expor algumas dessas áreas para as pessoas não será nada proveitoso.

A luta de Jacó era uma luta de oração, em busca da bênção e Deus! 
Aquela luta Jacó tinha que passar sozinho, com o Senhor. Nós também precisamos ir ao vau de Jaboque, o lugar da oração, e ali lutarmos lado a lado com Deus. Esse lugar muitas vezes é o nosso quarto, mas essencialmente o nosso coração.

“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” Mateus 6:6.

2 – Jacó lutou pela bênção de Deus 
“Disse este: Deixa-Me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não Te deixarei ir se me não abençoares.” Gn 32:26.

Quando lemos que Jacó lutou com Deus precisamos ter o entendimento do que aconteceu ali. Jacó agarrou-se a Deus para receber a sua benção. Isso nos revela o esforço, a força de vontade, perseverança, longanimidade. Jacó já estava cansado de ser o trapaceiro, o usurpador, o malandro. Por isso ele lutou, se esforçou tanto e recebeu o que buscava.

Jacó sabia quem ele era, e que o seu encontro com Esaú (Gn 32:3-21) fora uma bênção, apesar do seu medo e receio, mas que certamente iniciava-se ali um novo tempo de convivência. Como seria esse tempo? Ele se lembrava do ódio que Esaú sentia por ele e do modo como ele fugiu para não ser morto por ele (Gn 27:41). Jacó queria ser abençoado para ser transformado, queria ser abençoado por Deus porque não podia mais viver como um usurpador. Ele desejava mudar.

Deus queria abençoar Jacó? Claro que sim! Então por que Jacó precisou lutar? Porque assim é que tem que ser, somente os que se esforçam alcançam a benção do Senhor. Deus poderia abençoar Jacó sem que esse fizesse nenhum esforço, porque Deus tudo pode. No entanto, não é assim que Deus age, mas Ele exige de nós o esforço, a determinação, a força de vontade, a entrega total. Quando Jacó lutava, ele insistia para que o Senhor o abençoasse, e essa benção era a transformação de seu caráter.

“Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.” Mateus 11:12.
“Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” Isaías 55:6-7.

Muitas vezes nós queremos ser abençoados, mas não queremos pagar o preço do esforço, da oração da santificação. Como bem diz o ditado, sem luta não há vitória.

3 – Jacó recebeu a bênção de Deus 
“Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. [...] Àquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva.” Gn 22:28,30.

Jacó foi abençoado por Deus! Jacó esforçou-se por sua benção, e Deus agraciou o patriarca. A benção do Senhor foi uma transformação do caráter e do nome dele, de Jacó (“usurpador”) para Israel (“Príncipe com Deus”).

O que queremos? Muitos enchem os templos buscando a benção material que Deus pode dar e nada mais. Certamente sem Deus não temos nada, inclusive as bênçãos materiais. Mas não façamos disso o nosso alvo primordial. Jacó buscou a sua transformação, ele já não queria mais se o malandro, o trapaceiro. Deus Se agradou disso e o abençoou. E nós? Será que temos nos acomodado com o que somos? Temos buscado as bênçãos essenciais para vivermos uma vida cristã digna? Como está a nossa santificação? A nossa frequência à Igreja? Você é um crente verdadeiro ou um fariseu como tantos que há?

A Bíblia diz que pedimos mal quando pedimos egoisticamente (Tg 4:1-10).

“1 De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? 2 Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; 3 pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. 4 Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
5 Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós? 6 Antes, Ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. 7 Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. 8 Chegai-vos a Deus, e Ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. 9 Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. 10 Humilhai-vos na presença do Senhor, e Ele vos exaltará.” Tiago 4:1-10.

Não residia em Jacó o ser abençoado, mas em Deus que quis abençoá-lo. O que Jacó podia fazer e nós precisamos aprender a fazer, era lutar. Ele assim o fez e Deus o abençoou. 

“Vi a Deus face a face e a minha vida foi salva”.  Gn 32:30.

O Senhor feriu Jacó na articulação de sua (Gn 32:25,31-32). Jacó foi abençoado mas ficou manco. Queremos ser abençoados, mas será que estamos dispostos a deixar algo para trás? E se Deus tocar em nós? Por que o Senhor fez isso? Talvez fosse para que Jacó sempre se lembrasse daquele dia em que a sua vida foi salva, porém Deus mostrou para ele a sua supremacia.

Conclusão

Você já descobriu quem você é de fato aos olhos de Deus?
Isso te incomoda? Porque se não incomoda estamos mal!!!
Como você tem buscado a presença de Deus? Você é insistente?
O que você mais pede para Ele? Qual bênção mais lhe interessa?
Você está disposto a encarar as consequências em busca de ser transformado por Deus?

A história de Jacó é maravilhosa. Ele, um dos patriarcas de Israel e da nossa fé, foi agraciado por Deus com visões e promessas tremendas. Mas o que mais nos chama a atenção nessa história, não são as visões e as experiências em si, mas a determinação dele em ser um homem melhor para Deus.

Se a promessa de Deus é que em Cristo somos mais que vencedores, precisamos agora cumprir nossa parte da Aliança com Deus, para que de fato assim seja conosco. E é aí que residem as nossas maiores lutas interiores, quando nos vemos aquém daquilo que Deus quer que sejamos. Aí é que nos identificamos com Jacó. Que possamos nos identificar com ele também em sua determinação, força de vontade, ousadia e fé, para que sejamos agraciados por Deus.

Entremos nesse lugar a sós com Deus, lutemos a luta da oração, da santificação pessoal, clamemos ao Senhor, Ele quer nos abençoar.
E assim como Deus abençoou Jacó, nós também podemos ser abençoados.

Soli Deo Gloria!!!

IPNA, Culto Vespertino 24/09/17
Rua Álvares Fagundes, 102, Americanópolis, São Paulo.